Utilizando...

Utilidade:
s.f. Qualidade de útil.
Objeto útil; emprego, uso, serventia.
Útil: adj. Que tem uso, préstimo ou serventia; que satisfaz uma necessidade. Que traz vantagem, proveito ou benefício;

Todos os textos aqui postados me foram úteis em alguma fase da vida. E têm uma utilidade atemporal, perpétua. Longe de pedir por aprovação ou pretenderem marcar o leitor em algum momento, estes textos desejam e objetivam a utilidade. Não pedem reconhecimento ou aplausos, amor ou ódio; A utilidade é livre para o pretexto, o texto que quiser. Querem, porém, seu respeito. Podem não ser de todo belos, éticos, saudáveis, proféticos. Mas pedem que, se utilizados, tenham sua autoria reconhecida, como um preço justo e nada caro. Leia, releia, use, utilize. Mas dê a eles o sobrenome, pois todos tem mãe.
Assim, faça deles o uso (ou a utilidade) que quiser.

Raquel Capucci


quarta-feira, 13 de julho de 2011

Flex

Um Posto de gasolina. O carro para em frente a uma bomba de combustível.

Frentista: Bom dia, senhor. Etanol ou Gasolina?

Motorista: Não sei, estou na dúvida...

Frentista: Pode escolher qualquer um dos dois, afinal, seu carro é Flex.

Motorista (irônico): Flex! Flexível mesmo é o preço do combustível, hoje em dia, isso sim.

Frentista: Desculpe, não entendi...

Motorista: Deixe pra lá... Na verdade, minha dúvida é se vai dar problema.

Frentista: Problema, senhor?

Motorista: É, problema no motor. Ora colocando um, ora outro, essa mistureba toda...

Frentista: Não, não, eles não se misturam no motor...

Motorista: Mas bem que tem muito Etanol misturado na Gasolina, né? Se fosse pela briga, não se misturavam mesmo de jeito nenhum...

Frentista: Briga?

Motorista (em tom de conspiração): A briga de ver quem é que aumenta o preço. É um dizendo que aumenta o preço do outro, que aumenta o preço de um... E, no fim, só aumenta.

Frentista: Olha, disso não entendo, não entendo nada de economia...

Motorista: Ah, economia é outro assunto... Esse carro aqui, por exemplo, faz 15 por litro de Etanol... Mas eu faço só 10...

Frentista: Quilômetros?

Motorista: Passos.

Frentista: Passos?

Motorista: Por litro de cachaça. Mas se bem que cachaça e Etanol é tudo álcool mesmo...

Frentista: Espero que o senhor não beba antes de dirigir...

Motorista: Não, claro que não! Mas depois que chegar em casa, hein, hein? Só não tinha pensado nessa do Etanol... É mais barato que o litro da cachaça.

Frentista (impaciente): E então, já se decidiu?

Motorista: Coloca Gasolina. No fim, é tudo uma mistura mesmo... Mas me vê um litro de Etanol numa garrafa.

Frentista: Mas o senhor acabou de pedir pra colocar Gasolina!

Motorista: O Etanol é pra quando chegar em casa...

Frentista assustado. Outro carro para ao lado.

Frentista: Etanol ou Gasolina, senhora?

Motorista 2: Não sei... Sabe que ainda estou na dúvida?

Frentista joga o boné para o alto e sai correndo.

Ou

Ele pega uma garrafa e entrega para a Motorista.

Frentista: Aqui está... No fim, é tudo álcool mesmo...

FIM

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Transpiração, Inspiração e Paixão

Algo hoje me motivou tanto a escrever, depois de meses sem nenhum texto saltando no pensamento, que mesmo a despeito do cansaço resolvi parar tudo e escrever sobre o acontecimento. Na verdade, foi esse acontecimento (ou uma sucessão de acontecimentos, talvez) que me levou a ter a mente borbulhante de ideias e palavras, palavras e mais palavras.
Muitos que me conhecem sabem do meu desejo de viver como artista. Posso dizer que me “descobri” artista aos 11 anos, participando de uma peça numa colônia de férias. Dali em diante, fui devorando livros, recortes de jornais e revistas, reportagens televisivas, tudo o que me viesse à mão que falasse sobre o assunto. E, quando me vi realmente num palco pela primeira vez, parecia que eu tinha estado lá a vida inteira. Ou estava lá o sentido e estava lá o gozo dos sentidos, das sensações e dos pensamentos. Eu me vi porta-voz de algo que não vinha exatamente de mim mesma, era algo que saltava para além de mim, surgindo de uma concepção maior.
Carl G. Jung (para quem não conhece, Jung foi discípulo de Freud, mas ampliou o estudo da psicanálise para além das fronteiras da cultura) já dizia que o artista é o responsável por trazer à visão o inconsciente coletivo, algo que está dentro de cada pessoa e que não pode ser facilmente visto, o sujo e o belo, porque o verdadeiro artista transita entre os extremos e as mesclas de cores sem preconceitos, ou sem ter preferência por alguma delas. O artista fala de assuntos que acompanham gerações, é ele que acende a primeira fagulha no meio da escuridão. E, já dizia Jung, o artista não escolhe ser artista, ele nasce artista, no sentido de trazer essa centelha da paixão dentro de si. É isso que seria dizer do “artista nato”, ao meu ver, e não alguém que parece ter um talento para algo, seja Arte ou não.
Deixem-me falar sobre a questão do talento, pois foi isso que me motivou a escrever hoje. Muitas vezes eu me questiono a respeito do meu talento. Principalmente na Arte, mas também em diversas coisas na vida: talento para ser mãe, para casar... Mas por enquanto quero só falar sobre o talento na Arte. Muito sabiamente um autor falou que o ator (e por que não dizer o artista em geral) é parte inspiração, parte transpiração. E eu acrescentaria mais um componente a isso: paixão. Sim, paixão. Aquilo que nos faz sentir o arrepio na altura do estômago, o rubor e o calor da face, as mãos suadas e geladas... paixão. É algo tão forte, que os gregos chegaram a classificar a paixão como doença (pathos, mesma palavra que dá origem a patologia), tamanho desequilíbrio que ela causava (e ainda causa) no corpo humano. Taquicardia, sudorese, pupilas dilatadas, tremores... Desequilíbrio. Mas um desequilíbrio bom, que nos tira do status quo, do mesmismo das nossas vidas, que nos libera da intoxicação do tédio e da rotina. Pura paixão. E é isso que move o artista, ou que pelo menos deve mover. Muito mais do que talento (inspiração), e trabalho (transpiração), o artista tem que trazer dentro de si a paixão. Aquilo que provoca tudo que eu falei anteriormente, faz alguém se mover para fora de si mesmo.
A paixão, e a Arte por consequência, não nascem do impulso sexual. Ter paixão não quer dizer libertinagem, festas frequentes até alta madrugada, álcool, drogas e etc. Isso é pura satisfação da parte animal, do ID. Nem sequer a paixão está localizada somente no pensamento, na vaidade e no EGO. Esses são só instrumentos para a Arte. Mas a Arte, ao meu ver, está localizada no ponto exatamente do meio, aquele ponto próximo ao umbigo, o ponto de equilíbrio, que une o animal ao humano, o terreno ao divino. Porque a Arte está para além disso, ela é esse ponto de equilíbrio e desequilíbrio ao mesmo tempo.
Algo sempre me move e me moveu em direção à Arte. Como uma vocação, um chamado da alma. E a cada não que eu ouvia – pais dizendo: “desista disso, você precisa se concentrar em ganhar dinheiro”, amigos dizendo: “você não tem mais idade pra começar uma carreira”, circunstâncias da vida, fracassos em testes, escolhas mal-feitas e consequências piores ainda – mais e mais eu tinha certeza do que eu queria. Já viram um bebê aprendendo a andar? É tanto tombo, tanto tombo, mas ele continua tentando, porque no fundo sente que suas pernas foram destinadas a isso e que ele tem todo potencial necessário para andar. É assim que me sinto com a Arte. Ainda que às vezes meu talento e minha transpiração sejam postos à prova, a paixão continua. Ela não sai daquele ponto de equilíbrio no meio do umbigo. Ela não para de me dar arrepios na espinha toda vez que entro num palco. Não para de me fazer querer mais e mais experiências.
Isso tudo que falei não vale só para a vida artística. Para ser um bom advogado, uma ótima professora, um médico exemplar, uma dona de casa fora de série, para qualquer ofício e sacro-ofício é preciso paixão. Se você não tiver mais aquela força que move e impulsiona você para aquela necessidade da corda bamba, da emoção e do equilíbrio-desequilíbrio, você se desviou do caminho da sua arte. Acima de tudo, ouça essa força que vem das suas entranhas e queima por dentro. Nós sabemos que o dia-a-dia consome essa chama até ela se apagar, mas no fundo essa centelha continua brilhando, basta saber e querer enxergar. Pegue essa centelha e a transforme em uma fogueira perpétua. E, mesmo que ventos soprem, que tentem abafá-la de alguma forma, você saberá que sempre poderá acendê-la de novo. Basta ter paixão. Eu tenho, e é por isso que essa enorme fogueira teima em arder aqui dentro...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O atirador do Rio

      Sempre que ouvia falar em tragédias em que um homem, geralmente jovem, entrava em um prédio (cinema, escola, shopping center) fortemente armado e iniciava uma matança aparentemente desorganizada – logo após se descobriria que tudo fazia parte de um plano ardiloso alimentado em uma mente perturbada – de civis em suas atividades corriqueiras, pensava, com meu pensamento ora medíocre, ora covarde: só pode se tratar de mais um daqueles estrangeiros querendo imitar as superproduções norte-americanas. Assim, eximia-me da necessidade e do sofrimento de pensar que, tanto algoz quanto vítimas, eram seres humanos, como eu. E que, mesmo se tratando de algo acontecido em um país estrangeiro (às vezes distante apenas por um oceano, ou nem isso... E o que é um oceano para o ser humano, hoje em dia?), mostrava a decadência e falência de toda uma sociedade. Não parava para pensar que a grande tragédia não eram apenas as mortes, mas o cúmulo de uma pessoa, perdida, abatida, sacrificada por toda uma vida, chegar a não sentir qualquer remorso ou culpa por tirar, muitas vezes à queima-roupa, uma outra vida humana.
E como falar em tirar vidas humanas, se fazemos isso constantemente com animais? Se ignoramos a existência de uma pessoa maltrapilha dormindo embaixo de um viaduto? Se admitimos que políticos ganhem décimos-terceiros, quartos e quintos (e ainda ganhem o “excedente de campanha”) enquanto professores não ganham sequer um salário para trabalhar às vezes mais que quarenta horas por semana? Os mesmos professores que lutam para dar uma vida melhor para alunos que, após menos de uma hora do início de um dia de aula, morrem brutalmente pelas mãos de um jovem que (ironia do destino?) também fora seu aluno...
Não se trata de inverter os papéis de vítimas e algozes. E é fato que uma pessoa que faça algo como o atirador do Rio (que, assim esperamos, não seja o primeiro de uma espécie, mas o primeiro e o último) tem uma estrutura de personalidade que propicie a realização do ato de violência. Mas já passamos da época de achar que um ato de proporções catastróficas como este seja de responsabilidade apenas de seu autor. Ou será que não?
Hoje ouvi perplexa o comentário de um psiquiatra, num dos mais assistidos jornais televisivos da manhã, que “pessoas desse tipo já nascem assim, e é somente uma questão de tempo até que manifestem a ruptura da personalidade”. Ele falava, no caso, da psicopatia (que, em minha visão de psicóloga, não se encaixaria ao caso, mas sim um surto psicótico envolvendo, inclusive, alucinações). Será que se trata somente de algo do indivíduo? Ficaremos eternamente procurando “bodes expiatórios” para nossos problemas sociais?
Acompanhei atentamente a parte da reportagem que descreveu a vida do atirador. Tímido, virgem, fanático, desorganizado, distante, com ideias mirabolantes sobre ataques terroristas que, apesar das tentativas da sua falecida mãe adotiva em levá-lo a psicólogos (sim, ele passou por psicólogos, segundo consta), terminou em uma vida de abandono, aquela “pessoa invisível” que não acrescenta, mas também não atrapalha. E ele era assim visto pelos vizinhos, que tentavam sim tratar-lhe com carinho, aquele carinho que dedicamos a um (mero) desconhecido, e não a uma pessoa que existe, e tem importância. Ele se fazia não ter importância. Era mais ou menos como aquela aranha silenciosa que perambula pelas paredes e não nos causa problemas, até que ela resolva invadir nosso lençóis à noite e nos desferir mordidas mortais. E foi exatamente isso que aconteceu: o “inseto” mostrou que veio ao mundo por algum motivo. Que ele também tem suas armas, e que apenas resolveu usá-las porque foi, no fundo, um incompreendido.
É possível que eu esteja, sim, romanciando a história. Foi realmente uma tragédia sem precedentes. Mas de que parte da tragédia estamos falando? De alguns minutos de terror no qual faleceu o futuro e morreram os sonhos de 12 crianças (ou mais, ainda não se sabe), ou nos anos e anos de sofrimento pelo qual passou um “inseto”, assim tratado pela sociedade? Sim, ele teve as pessoas que quiseram e tentaram ajudá-lo. Sim, ele tinha um desvio sério de personalidade. Mas até que ponto fomos cegos para enxergar as reais intenções daquele rapaz? Até que ponto fomos surdos a seus gritos de socorro? E até quando vamos ignorar os gritos de socorro daquela criança que é abusada e violentada, daquele idoso espancado em casa, daquela mulher estuprada, do pai desempregado, do índio marginalizado, do animal maltratado, das árvores queimadas, de todo, todo um planeta sem pai e nem mãe? Até quando vamos desrespeitar e sucatear o núcleo familiar e aguentar que a mídia e o governo coloquem a culpa toda em cima dele? Até quando vamos ter rapazes suicidas entrando em escolas e atirando a esmo e mirando, principalmente, meninas?
Essas são todas perguntas, até agora, sem resposta... Cabe a nós sabermos se vamos continuar surdos-mudos de uma sociedade sem direção, ou se vamos arregaçar as mangas para criar nossas próprias respostas.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Votos


O Amor é uma experiência sublime...
Será? O correto, talvez, seria dizer que o Amor é uma experiência, apenas. Em verdade, mesmo que não se tenha vivido um Amor digno da grandeza de uma alma, ou da infinidade do universo, não há como alcançar o sublime sem passar incólume pela experiência do Amor. Pois, somos nós que passamos pelo Amor ou será que é ele quem nos perpassa? Como o tempo transformando o espaço, como os sentimentos e as sensações que nos atravessam a fim de manter o movimento de nossos corpos.
Nesse ponto reside a beleza e até a sutileza de enxergar o Amor como uma experiência: ela não tem fim, não pode ser mensurada, somente vivida. E, vivendo-a, a alma se transforma. Passando e sendo perpassada pela experiência, não mais amorfa, mas morfizada pelo sentimento.
O Amor nos ensina que o sublime não é suficiente. É preciso ser terreno, estar permanentemente nessa dança sagrada entre o Céu e a Terra. O Amor funciona como a força gravitacional que atrai um corpo ao outro... Ainda que através dela entendamos que algumas partes não podem – e não devem – ser coladas uma a outra. Hora ou outra existirá algo no Ser Amado que seja repelido – e aí é que está a magia do Amor. Através dele somos capazes de olhar fundo, como se admirando um buraco negro, e abstrair a luz...
O Amor nos une não pela busca do que é sublime, mas por essa necessidade certa e humana de irmanar harmoniosamente nossa parte terrena, do ventre, ao nosso sublime, que paira acima de nossas cabeças... É por isso que ao Amor é associado o coração. Pulsante, em um movimento quase eterno, ele une o que é terreno e sublime dentro de nós.
Poeticamente e sonoramente num uníssono, venho para me juntar pelo coração ao que é meu e seu, para que exista o nós. Convivendo com essas forças de atração e repulsão, numa dança viva de ida e vinda, que nós possamos estar trilhando um mesmo caminho e encontrar um lugar só nosso. Onde o Céu e a Terra se unam, e nossas forças estejam em perfeito equilíbrio.
Amo-te, sob a insígnia desse Amor acima descrito... Amor e Confiança.


Brasília, 24 de setembro de 2006.


segunda-feira, 14 de março de 2011

Sol Poente


Não foi preciso muito...
Em um minuto
Tudo parecia estar em seu lugar.
A primavera veio antes do tempo,
Em um outono
De folhas caídas sobre o chão de nosso
Pensamento...

Flores caíram do céu
E pousaram certeiras sobre o coração...
Ainda trancafiado,
Na fuga da emoção,
Na insensatez do consolo...

Em uma mescla de cores
O Amor veio...
Em certeza
De estar frente, rente
Ao mais certo de todos os sentimentos.

Interveio...
Como uma providência
Cálida vinda do poente...
O astro, em sua trajetória solitária,
Amou em dimensão planetária
Ao descobrir do outro lado a Lua...

Nua
Já estava a emoção...
Bastou uma canção
Um gesto,
Um gosto,
Um rosto
Olhando nos olhos,
O apreço e o endereço
Distante em uma fração...

De segundos,
De algumas horas de viagem,
Um grito certo de paciência:
Não temas,
Pois é chegado o momento...
Será não o cessar do teu tormento,
Mas o início de uma possibilidade...

O que é o Sol seguindo para dentro da Terra
E dela retornando
Senão uma possibilidade?
Cada novo dia é sempre uma nova possibilidade...

Uma verdade que não pode ser dita,
Mas vista...

Em teu olhar,
Em teu peito,
Em tuas vestes...

Verte teu choro,
Verte teu sentimento,
Não te arrependerás...

Pois o coração é teu,
O que vivemos não se pode tirar...

Somos duas possibilidades
Que se encontram lentamente
Num sonho vivente,
Numa sombra de razão...

Encanta-te o Sol poente
Pois é ele que te leva pra dentro de ti...
Pela noite adentro,
Encandesce em cores,
Em odores e em virtudes:
Não te iludas,
Não te assustes,
Estaremos juntos.
Ainda que sem saber ao certo por quanto.
Tempo temos...
O Amor é uma possibilidade.
Cabe a nós torná-la real...
 


Brasília, 21 de julho de 2008.

sábado, 12 de março de 2011

AR


Sobre planos,
Acertos e enganos,
Planamos...
Feito Águia
Levando os sonhos
Em nossas asas
Douradas pelo Sol!
O ápice,
O desenlace de nossa memória,
E mais uma vitória
De todos os sonhos!
A palavra,
Expressão certeira
Que nos diferencia dos animais
E nos aproxima dos Deuses!
Essa chave-mestra,
A inspiração de todos os sentidos,
Em todas as direções...
Aponta nosso destino,
Seta de nossa emoção,
Guia-nos por onde vamos,
Somos e crescemos,
Trazendo os dons por nossa respiração!
Ar que nos envolve,
Ar que nos inspira,
Inspiremos!
Inalemos!
Festejemos
Nossa consciência etérea!
Que vem em forma de ondas
Ultrapassando barreiras,
Perpassando brechas,
Através das quais
Passamos com sua flexibilidade...
No chão os pés se fixam,
Mas é na atmosfera que os sonhos viajam!
Veem além do alcance da mão,
Onde deslizam os raios de luz!
Elemento da magia,
Da força da intenção pela palavra,
Guie-nos,
Fortaleça-nos,
Ilumine-nos,
Para que possamos realizar,
Com destreza, inteligência e concentração,
Todos os nossos propósitos!

Brasília, 17 de setembro de 2007.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Coração de Artista



Enquanto me aproximo de meu desafio,
Numa leve e doce caminhada,
Posso sentir meu coração bater...
E como é bom senti-lo bater!
Pela primeira vez com o vigor
Que deveria sempre lhe ser característico!
Sorver
Da mais pura criatividade
A sensação de saudade,
A magia ousada
De estar por um fio...

Como é bom poder sentir
Meus pés fora do chão!
Ainda assim sentir a terra
E nada mais em guerra
Dentro do meu peito...
Sorrir
Como se pela primeira vez!
E mais uma vez ouvir bater meu coração...

Sentir a fluência
De meu sangue
E ao mesmo tempo ouvir a eloqüência
Dos sentimentos nos sentidos despertos...
Que ninguém mais se engane,
Pois isso sim é ser artista!
Poder olhar para a própria conquista
Com a inocência da primeira viagem,
E a consciência de estar só de passagem...

Por um estado de existência colorido,
Pintado,
Cantado,
Dançado,
Interpretado,
Vivido!

Para que eu mesma possa escrever
As falas de minha vida,
Descrever as formas,
As margens,
Os limites...
Não normas
Mas imagens,
Palpites...
De que uma nova vida agora se inicia...
Com a autenticidade de minhas mãos!

Agora sim,
Como é bom sentir meu coração!

Brasília, 03 de novembro de 2005.