Utilizando...

Utilidade:
s.f. Qualidade de útil.
Objeto útil; emprego, uso, serventia.
Útil: adj. Que tem uso, préstimo ou serventia; que satisfaz uma necessidade. Que traz vantagem, proveito ou benefício;

Todos os textos aqui postados me foram úteis em alguma fase da vida. E têm uma utilidade atemporal, perpétua. Longe de pedir por aprovação ou pretenderem marcar o leitor em algum momento, estes textos desejam e objetivam a utilidade. Não pedem reconhecimento ou aplausos, amor ou ódio; A utilidade é livre para o pretexto, o texto que quiser. Querem, porém, seu respeito. Podem não ser de todo belos, éticos, saudáveis, proféticos. Mas pedem que, se utilizados, tenham sua autoria reconhecida, como um preço justo e nada caro. Leia, releia, use, utilize. Mas dê a eles o sobrenome, pois todos tem mãe.
Assim, faça deles o uso (ou a utilidade) que quiser.

Raquel Capucci


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Deusa Viva

De Lua sou vestida
E com o Sol despeço-me das estações:
Sou Mulher.
Revestida de sonhos e ações
Acalentadas no próprio seio
Pelo anseio de viver.
Minhas vestes que me vestem de paixões
Fazem de mim sacerdotisa
De todas as mil faces enluaradas:
Sou Cheia.
Quando cheia de mim e gerando planos,
Vidas presentes e passadas,
Sou mais uma vez eu mesma e tantas,
Soprando as palavras como poetisa:
Sou Crescente.
E, quando envolvida pela escuridão,
Sábia do conhecimento do mundo,
Do profano e do profundo,
Volto-me para a anciã em meu próprio manto:
Sou Minguante.
E de novo Nova me faço
Para novamente renascer,
Aprender e crescer
Como semente que brota dentro de si mesma,
Ora Cheia, ora Crescente, ora Minguante,
Mas nunca o ser errante pelo mar de estrelas.
O painel de pontos brilhantes,
No além do além-vida terrestre,
Coroa minhas mudanças,
Minhas várias andanças
Que me fazem e refazem como quem sou:
Mulher mutante,
Mãe, amada e amante,
Eu mesma e todas, 
Todas em só uma
E todas dentro Dela:
Grande Deusa Viva, Vida...




sexta-feira, 6 de abril de 2012

Ciao, Mark Zuckerberg, Ciao!


Nos tempos atuais, é inegável o papel da internet na aproximação ou reaproximação das pessoas. Redes sociais aos montes, mensagens instantâneas, posts ilimitados, chamadas por vídeo. Seja lá o nome que tiverem, essas ferramentas nos levam a cavar para procurar pessoas perdidas e (por que não?) uma vida, além-vida real. Sinal dos tempos, já diriam os antigos...

Tempos esses que não basta mais ser a pessoa que se é. É preciso ser multimídia, multimodos, multidirecional... Mutilado em partes, não é verdade? Ora virtual, ora real... Ou mesclando incessantemente as multimatérias dessa forma de ser. Mas a pergunta que paira é: Será mesmo que com todos esses recursos, ferramentas, aplicativos, fomos capazes de ser mais humanos, de realmente nos aproximarmos ou reaproximarmos das pessoas a nossa volta?

Não sou um bom exemplo para falar sobre o uso de redes sociais, nem tão pouco para falar do bom uso delas. Entretanto, tenho a felicidade de me espelhar no exemplo de pessoas capazes de utilizar tais ferramentas (sites, programas) para o uso para o qual foram (ou deveriam ter sido) criadas: tornar o contato real entre as pessoas cada vez mais frequente. São aquelas pessoas que dão um jeito de entrar em contato com você onde quer que esteja, através das formas modernizadas da invenção de Antonio Meucci. Em outras palavras, elas dão um jeito de ligar para ouvir sua voz e saber através dela como você está, mesmo que estejam do outro lado do mundo (real). Eis porque não sou um bom exemplo nesse sentido. Antonio Meucci ficou esquecido nesse aspecto, tocando do meu lado só quando quer. Ele e sua versão melhorada (vulgo celular) alavancaram minha fama de tagarela às alturas, mas não sei dizer ao certo quantas vezes sou capaz de discar um número a procura de ouvir como está o dia ou a vida de uma pessoa querida.

E você, caro (a) leitor (a)? Como faz uso das ferramentas modernas? Quantas vezes se pegou em um monólogo interno jogado no meio da multidão (mais uma vez multi...), esperando que talvez alguém se importasse? Ou, pelo contrário, esperando que ninguém se importasse? Saindo do anonimato do mundo real, para o estrelato do mundo virtual? Pode ser que seu caso não seja esse. Mas... Pense bem. Quantas vezes, pela existência desse mundo social virtual caótico, sem privacidade nem identidade, você se viu acomodado (a) nessa posição ilusória de saber como as pessoas estão? Em algum momento, isso provavelmente aconteceu. E não foi por culpa de Mark Zuckerberg, pois ele mesmo disse que as pessoas fazem mau uso do aplicativo por ele criado. Talvez ele seja uma pessoa preocupada com o bem-estar das pessoas, esperando que elas se aproximem, ou seja mesmo só um almofadinha multiFACEtado colhendo louros de uma vitória ainda não ganha. Porque Antonio Meucci morreu no anonimato de uma época ainda não virtual, tendo sua invenção roubada por um fulano mais financeiramente dotado (aquele Graham Bell)...

Da minha parte, prefiro o anonimato do mundo real e o aconchego das relações próximas, do que a grande repercussão de uma resposta à pergunta “No que você está pensando agora?” feita por uma rede social. Fica a outra pergunta: Quantas pessoas querem realmente saber? Provavelmente as que buscam o contato real querem saber.

Em memória de Antonio Meucci, injustiçado em seu invento: Ciao, Mark Zuckerberg, Ciao! Porque há dias de chegada e dias de partida... Num mundo onde tantas vidas vêm e vão.

sábado, 31 de março de 2012

Caçar para si mesma: o grito de liberdade da Leoa solteira

Após a queima de sutiãs em praça pública, a conquista da liberdade sexual, o usufruto da contracepção e a atuação em cargos importantes da política mundial, a mulher moderna enfrenta o seu mais recente desafio: assumir sua condição de mulher solteira.

Assumir publicamente não é problema para a maioria das mulheres que escolheram ficar solteiras. O desafio é, na verdade, fazer a sociedade acreditar (entenda-se família, amigos e amigas, antigos parceiros ou pretensos parceiros) de que elas estão solteiras e adorando, obrigada. Ainda é difícil para uma sociedade com resquícios (resquícios?) patriarcais aceitar que existem mulheres que são capazes de assumir suas convicções, seus trabalhos, seus filhos e sua vida sexual sem estar dentro de uma relação com outra pessoa, seja do sexo oposto ou não.

Imaginar um homem solteiro, curtindo a vida, cuidando do trabalho, indo atrás de uma mulher a cada fim de semana (quiçá a cada noite) não é difícil. Mas algumas pessoas, ao ouvir “estou solteira, feliz e não pretendo me relacionar com mais ninguém por enquanto”, escutam “estou solteira (suspiro) porque fui rejeitada e ninguém mais me quis, então estou tentando conviver com isso”. Se você ouvir a frase real de uma mulher que olhar para o chão ou talvez para casais de mãos dadas passando ao redor, tenha certeza que você está certo (a) em seu entendimento. Mas se, do contrário, essa mulher olhar profundamente em seus olhos e não titubear, saiba que você está diante de uma Leoa solteira.

A Leoa solteira é aquela que provavelmente já viveu grandes amores, amou muito e foi muito feliz em alguns relacionamentos. Mas, por algum motivo, ela se viu solteira e decidiu conscientemente que aquilo era o melhor para sua vida naquele momento. Talvez ela já tenha ficado triste por isso, já tenha aceitado qualquer homem ou mulher que lhe tenha aparecido na frente, mas o fato é que, em algum momento, percebeu que ela é a melhor companhia para si mesma. E que estar consigo mesma e plena dessa convicção não é um sacrifício, não é uma sensação de vazio, mas de conquista de espaço, de espaço interno e externo, de valorização de quem ela é perante tudo e todos.

A Leoa solteira não está sozinha, nem tão pouco é solitária. Pelo contrário. Talvez os homens e mulheres a procurem muito, até mais do que o normal. Talvez lhe façam propostas de relacionamentos depois de noites de prazer, ou até se apaixonem somente pelo que ela é sem mesmo tocá-la. O que provoca isso não é sua condição de solteira, mas a energia de plenitude e conforto que ela emana por estar bem dentro de sua própria pele.

Por que Leoa solteira? Porque ela aprendeu que pode caçar para si mesma, sem precisar levar parte de sua caça para um Leão/Leoa que esteja por perto. Não que ela não queira dividir o fruto de seus esforços, pelo contrário. Mas ela não quer uma relação servil, de ser obrigada a levar uma parcela do que conseguir para o outro. É bem provável que as mulheres felizes em seu casamento já tenham sido Leoas solteiras que encontraram alguém que esperasse elas mesmas tomarem a iniciativa de dividir a sua caça, e que aceitasse a progressão das parcelas que elas tinham capacidade de dividir em determinado momento. Não lhe cobrou mais do que ela podia ou queria dividir.

Não pretendo, aqui, fazer uma apologia à solteirice. Venho aqui defender a liberdade das Leoas solteiras de caçarem para si mesmas, e de acharem parceiros ou parcerias que esperem que elas estejam dispostas a dividir. Porque, no fundo, é exatamente isso que as Leoas solteiras querem: alguém com quem dividir, e não alguém a quem servir. Pois não há nada que afaste mais uma Leoa solteira do que a insistência para que elas dividam quando ainda não estão preparadas novamente para isso.

Se algum dia uma delas lhe disser: “Estou solteira, sim, e bem, obrigada”, não tente dissuadi-la de sua posição. Espere com paciência. Vibre com as conquistas dela. Ouça com carinho seus anseios, e vá conquistando aos poucos seu espaço. Mas sempre sabendo que encontrará uma fêmea inteira, e não uma metade esperando ser preenchida. Se você não é páreo para uma Leoa solteira, procure por uma gatinha escaldada. Depois só não diga que eu não avisei.


sexta-feira, 23 de março de 2012

O Tempo e a Distância


A maioria dos leitores – e, por que não dizer todos os leitores – em algum momento da vida já ouviu, talvez de uma pessoa mais velha: “O Tempo cura tudo.” Acreditando nessa propriedade ora curativa, ora dizimadora do Tempo, vários artistas lhe dedicaram odes, como a bela música de Caetano Veloso sobre esse ancião respeitável e ameaçador, que carrega consigo a grande foice transformadora de fracassos ou sucessos, amores e desamores. Se o Tempo é um dos deuses mais lindos, é aquela figura mítica nem boa nem má, agindo de acordo com os próprios princípios. Dessa forma, seria melhor dizer não que o Tempo cura tudo, mas sim que mantém a roda da vida e do destino rodando em um ciclo eterno.

Todos os leitores – agora sim me aventuro a incluir todos – já passaram pela situação de dar “um tempo” no relacionamento, este tempo com letra minúscula e período indefinido. Mal sabem os amantes (ou “desamantes”) desavisados, mas o que estão dando não é “um tempo” e sim, “uma distância”. O tempo, de acordo com a sabedoria citada no início deste texto, cura, limpa, transforma. Não é ele que separa duas pessoas, para que cada uma possa pensar em seus propósitos e impressões. Quem pode realmente desfazer laços é ela, que não é vilã nem benfeitora por si só, mas que tem esse poder intrínseco de resolver impasses simplesmente impondo sua natureza: a Distância...

O tempo recria, reconstrói, refaz sonhos e esperanças... Quando bem utilizado, sim. E é possível duas pessoas fazerem uso de seus efeitos benéficos sem necessariamente estar separadas. É aquela pausa na turbulência, ficar no olho do furacão, a observação do voo longe, longe lá em cima, pensar consigo somente e com os próprios botões. E não é preciso da distância (física) para isso.

Bem sabemos alguns de nós (todos?) que é possível criar um abismo entre duas pessoas, e ainda morar na mesma casa. Pode-se passar o tempo que quiser com essa pessoa... Ainda assim, a distância não permitirá que o efeito curador do tempo recicle o que está obsoleto e recrie estruturas que não servem mais.

E, alguns de nós (aqui não cabe o “todos”) vivem a experiência de a distância precisar de navios, aviões, carros e alguma caminhada e, ainda assim, nosso algo querido e amado permanece ileso. Ou ainda, o tempo só contribui para que ele se fortaleça. A distância física, em si, não quer dizer muita coisa para os que ignoram sua incidência. O tempo é um aliado daqueles que estão perto, até mesmo sem se tocar. E a distância é a inimiga dos que se tocam, convivem, mas não chegam perto a um milímetro sequer.

O Tempo e a Distância são consortes, amantes, confidentes. Mas depende da forma como os encaramos para que seus efeitos permaneçam, revigorem, aumentem a energia benéfica que paira em nossas relações ou, ao contrário, dilacere e amargue tudo que antes fora doce. E, talvez o Amor, em todas as formas e sabores, seja a liga que prende Tempo e Distância unidos... Pelo infinito de espaço e tempo.




terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Fim

(Como me sentia em época de carnaval há 5 anos. Sentimentos de um fim...)


Foi covardia
Foi capricho
Até mesmo imaturidade,
Foi mesmo falta de coragem...
Não falta de coração,
De ousadia,
De viço,
De verdade...
Existia dentro de mim
Aquela chama...
Clamando por um nome,
Uma definição que nunca veio...
Foi por fim,
Por meio,
Por princípio!
Que princípio,
Se de início já não se sabia?
Se já lá dentro doía
Essa dor que eu não sentia?
Esse amor que não valia?
Essa lágrima tão tardia?
Tudo consumado,
Consumido,
Saturado,
Suturado...
Alquebrado
E Roto!
O Amor...
Vivido,
Mas caído,
Virado...
Em quê?
Em choro?
Em dor?
Em rubor?
Em pudor?
Em nada,
Nada, por fim?!
Fim...
Sim, o fim...
Esse sim,
Chora,
Dói,
Ruboriza,
Pulveriza
A tristeza...
Destrói a beleza,
A certeza
E a riqueza
De um princípio
Que já não mais
Está lá para ser visto...

Brasília, 27 de fevereiro de 2007.

Luz

Uma, duas vezes ouvi falar:
Para se poder alcançar
O inalcançável
Basta estender a mão
Além do que imaginar...
Tocar com o coração,
Escutar com o inconsciente,
Não inconsistente!
Mas fremente, eminente...
Como se a cada centímetro alcançado
Quadrado pudesse formar...
Nas pontas da glória
Arredondo minha história,
Na esfera de minha intenção...
Quero a canção
Não a equação correta!
Quero o poema
Não o teorema fechado!
Quero a poesia
Não a geometria dimensionada!
Quero poder somar o incorreto,
Lidar com hipóteses abertas,
Brincar com as formas adimensionais!
Passar de uma dimensão a outra,
De uma suposição a outra,
Pular os números redondos!
E arredondar o infinito...
Traçar linhas, calcular logaritmos abstratos,
Lograr ritmos imediatos,
Escrever entrelinhas!
Nas estrelas do céu...
Passar da mão ao papel,
Do coração ao mel,
De um buraco negro à luz!
E retornar, reluzindo,
Para dentro de meu peito...
Certa de que minha luz
Perdurará além dos meus membros,
Dos números que me mensuram,
Das opiniões que me censuram,
Para além do que me lembro...
Ao futuro infinito dentro de mim fazer jus...


Brasília, 14 de julho de 2005.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Queria ser andorinha...

Queria ser andorinha,
Assim pequenininha,
Para migrar rumo ao Verão,
Fugir da solidão
E deixar para trás o frio do desencanto,
Cantar o canto dos que alegram
Cada canto onde há luar...
Há lugar aí para mim?
Na imensidão sem fim
Do teu pensamento,
Um alento, um som, uma canção
Dos que buscam por um abraço?
Não o vazio do amasso,
Mas o calor vigoroso
Que degela o inverno da tristeza
- Aquela estranheza do rápido gozo –
A ilusão da emoção
Da andorinha sem Verão...
Veja, o vento que me leva
É o sopro da esperança,
Levando-te a lembrança
De que o amor ainda existe!
Amor de todos os tipos,
Em todos os sentidos,
Por todos os meios vividos,
Ainda que só amigos...
Ouça a prece que chega
Com uma suave orquestração:
Uma andorinha só não faz Verão,
Mas juntos, aproveitando os bons ventos,
Podemos fazer qualquer estação...


Brasília, 12 de janeiro de 2012.